domingo, 13 de julho de 2014

REFLEXÃO...


“ O modelo dos modelos”

Ítalo Calvino

Antes mesmo de relacionar o texto com  o Atendimento Educacional Especializado (AEE), muitos trechos me fizeram refletir sobre o  “quanto” pensamos com Sr Palomar, quando construímos, planejamos e até “vivenciamos” mentalmente  situações e modelos “perfeitos” acerca de inúmeros projetos e perspectivas de vida, seja no campo pessoal ou profissional...

Da mesma forma, o encontro com a realidade dos fatos, assim como o Sr Palomar ( nem sempre de forma rápida ou tranquila), compreendemos que nossos “modelos” nem sempre se efetivam como planejamos, sendo necessário “apagar” modelos já existentes, refazer e reformular conceitos, estar  disponível à novas experiências...

Utilizando o texto como disparador para resumida  reflexão acerca do trabalho realizado  no Atendimento Educacional Especializado (AEE), fica evidente    a necessidade em “... apagar da mente os modelos e os modelos dos modelos... diante de uma realidade não homogeneizável...”  Após muitos encontros e desencontros  conseguimos compreender  a necessidade em   considerar especificidades, potencialidades e possibilidades  de cada sujeito.

A elaboração de  plano  que contemple necessidades especificas, na busca por ações que atendam ao aluno e colabore com outros atores do processo, me parece “marcada” no trecho “...melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis...”



domingo, 8 de junho de 2014

RECURSOS E ESTRATÉGIAS DE BAIXA TECNOLOGIA PARA ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ( TEA )

Diferentes pesquisas  na área do Transtorno do Espectro Autista ( TEA ),  demonstram  que o  uso da Comunicação Alternativa, tem se apresentado como importante recurso  no desenvolvimento de sujeitos com autismo.

Transtorno do Aspecto Autista:
Segundo a nova versão do Manual diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ( DSM-5¹), o Transtorno Global do Desenvolvimento, passa a chamar-se Transtorno do Espectro Autista, considerado distúrbio do desenvolvimento neurológico, podendo estar presente desde o inicio da infância, acarretando “prejuízos” e limitações relacionados à déficits sociais / comunicação, interesses fixados e comportamentos repetitivos, com variações quanto ao nível de gravidade.

Comunicação Alternativa:
“O conceito de Comunicação Alternativa tem o intuito de definir as diferentes formas de comunicação como gestos, língua de sinais, expressões faciais, e até o uso de softwares capazes de apoiar a comunicação, para substituição, complemento ou ampliação da oralidade” (BEZ, 2012). 
A comunicação é considerada alternativa quando o indivíduo não apresenta outra forma de comunicação, e considerada ampliada quando o indivíduo possui alguma comunicação, mas essa não é suficiente para suas trocas sociais.
Na CAA utiliza-se de vários símbolos como os objetos, a fala, os gestos, a linguagem de sinais, as fotografias, os desenhos e a escrita.
Há vários tipos de símbolos que são usados para representar mensagens.  Podem ser Símbolos que não necessitam de recursos externos – O indivíduo utiliza apenas o seu corpo para se comunicar. São exemplos desse sistema os gestos, os sinais manuais, as vocalizações, e as expressões faciais.
Símbolos que necessitam de recursos externos - requerem instrumentos ou equipamentos além do corpo do usuário para produzir uma mensagem. Esses sistemas podem ser muito simples, ou de baixa tecnologia, podendo  ser  construídos utilizando-se objetos ou símbolos, letras, sílabas, palavras, frases ou números em forma de cartões ou  pranchas.
 Esses recursos devem estar de acordo com os objetivos propostos para o trabalho e  considerar as possibilidades comunicativas, cognitivas, visuais e motoras do aluno.
Referências:
WWW.comunicacaoalternativa.com.br ( Tecnologia Assistiva – Miryam Pelosi)
  
Atividade:
Introdução de imagens para antecipação e organização de momentos da rotina, buscando inserir o aluno nos diferentes espaços da escola e contextos de aprendizagem. Atividade mediada por professora da sala, envolvendo todo o agrupamento. As imagens serão posicionadas na ordem das atividades do dia, em local de fácil visualização,  sendo antecipadas e retomadas no decorrer do período. As imagens poderão ser fotos dos espaços, fotos dos diferentes espaços com a turma    e / ou  figuras  que representem os diferentes momentos.  

Objetivos:
 Compreender os diferentes momentos da rotina;

 Aceitar  e participar  dos momentos de mudanças que compõem e organizam o dia. 

EXEMPLOS DE FOTOS PARA CARTÕES ROTINA: 









domingo, 20 de abril de 2014

SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

 Surdocegueira
O termo Surdocegueira refere-se à pessoas com perdas visuais e auditivas concomitantes  em graus diferentes, podendo ser:
- Surdocego total;
-Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual;
-surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual;
- Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira;
-Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais.

 Surdocegueira Congênita: Quando a criança nasce surdocega ou  a adquire  nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma língua.

Surdocegueira Adquirida:  Quando a pessoa ficou surdocega após aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada.    ( AEE ATENDIMENTO  EDUCACIONAL ESPECIALIZADO. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla – Profª Shirley Rodrigues Maia – SP 2011 ).

Deficiência Múltipla
São consideradas pessoas com Deficiência Múltipla aquelas que “têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social”           ( MEC / SEESP, 2002).
“O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.” (MEC,  2006).
“Considera-se uma criança com deficiência múltipla sensorial aquela que apresenta deficiência visual ou auditiva, associada a outras condições de comportamentos e comprometimentos, sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldade de aprendizagem.” (MEC/ SEESP, 2006).  
Segundo a Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989 define-se como  Deficiência múltipla:
Associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.


Necessidades básicas das pessoas com Surdocegueira e com DMU:

  - Desenvolvimento do esquema corporal; equilíbrio postural, articulação e harmonização de movimentos e força muscular;
   - Aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina;
   - Desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
   - Aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, verbal, gestual, outros registros.
De acordo com Nunes ( 2002), as necessidades da pessoa com Deficiência Múltipla podem ser agrupadas da seguinte forma:
- Necessidades físicas/médicas;
- Necessidades emocionais;
- Necessidades educativas.

Nunes ( 2002), Considera também a comunicação, aspecto de extrema importância na aquisição de boa qualidade de vida, sendo visão e audição as principais vias de acesso.

Abordagem Educacional:

Pessoas com  surdocegueira  necessitam de formas específicas de comunicação para terem acesso a educação, lazer, trabalho e vida social. Os indivíduos com surdocegueira demonstram dificuldades em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família ou de outros que venha entrar em contato,  devido a combinação de perdas visuais e auditiva que apresentam, por isso, as técnicas “mão sobre mão” ou “mão sob mão”, são importantes estratégias de intervenção para o estabelecimento da  comunicação com a criança surdocega.


Considerando as necessidades de uma pessoa com Deficiência Múltipla e as consequências da falta de comunicação na abordagem educacional, as estratégias devem ser planejadas de forma sistemática, num modelo de colaboração na qual a comunicação seja a  prioridade. Organizar o mundo através de rotinas claras; desenvolver atividades de maneira multisensorial, aproveitando todos os sentidos, com atividades que proporcionem aprendizagem significativa, além da colaboração da família e demais  profissionais, oportunizam um trabalho que visa autonomia e independência considerando as especificidades da pessoa com DMU. ( Texto- Deficiência Múltipla sensorial – Vula Maria Ikonomidis )

terça-feira, 11 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoa com Surdez



O embate entre Gestualistas e oralistas  ainda ocupam  lugar de destaque nas discussões e ações desenvolvidas em prol da educação das pessoas com surdez, sendo também responsabilizados     pelo sucesso ou fracasso escolar.

 “... O problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas...” ( Damázio, Ferreira. p.48 ).

Diante da  necessidade de reorganização e implementação de melhores e significativas ações,  oportunizando  à pessoa com surdez  amplas possibilidades sociais e educacionais, encontra na   abordagem bilíngue, referendada pelo Decreto 5626 de 05 de dezembro de 2005,  o direito de  educação em LIBRAS e Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, como  línguas de instrução, de forma simultânea em ambiente escolar...

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva     ( 2008), também vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e práticas sociais / institucionais para promover participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum, a partir do Atendimento Educacional Especializado (AEE), para pessoas com surdez,    disponibilizando serviços e recursos, organizados em trabalho complementar à classe comum, visando maior autonomia e independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez no  espaço escolar e  fora dele.


Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez – AEE PS

Numa perspectiva inclusiva, o AEE PS, estabelece como ponto de partida a compreensão e reconhecimento do potencial e capacidades da pessoas com surdez, vislumbrando pleno desenvolvimento e aprendizagem. A proposta de educação bilíngue pauta a organização da prática pedagógica na escola comum, na sala de aula comum e no AEE. A prática pedagógica do AEE, parte do contexto de aprendizagem definidos pelo professor da sala , sendo que o professor do AEE, desenvolve a partir desse planejamento atividades complementares, considerando especificidades  do aluno.
Segundo Damázio ( 2007), o AEE envolve três momentos didático- pedagógicos:Atendimento Educacional Especializado em LIBRAS, Atendimento Educacional Especializado de LIBRAS e Atendimento Educacional Especializado em Língua Portuguesa.  O AEE em seus três momentos visa oferecer aos alunos com surdez a oportunidade de demonstrarem se beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem.



Referência:

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.